Versículo 4:0 – Uma Amputação Dourada
Ira!
Contemplem a ira de Oryx, enrolada por dez mil anos. Contemplem a Amputação Dourada: a queda de Taishibeth, o fim de uma era. Nós surramos os mundos de Taishibeth como tambores de crânios, e uivamos em alegria para as nossas luas bélicas negras, enquanto elas calcam orbitais prateadas e teias-estrelas reluzentes onde corvos solares infantis de Taishibethi se encolhem e morrem antes de nascerem.
Em seu mundo-trono, Oryx anda de um lado para o outro dez vezes.
Na primeira andada, Kraghoor envia os amaldiçoados para macularem os mundos de Taishibethi.
Na segunda andada, os Tai enviam suas chapas de batalha e naves de arsenal para combater as nossas luas.
Na terceira andada, o Sacerdote Bélico de Oryx os enfrenta em batalha, e sai vitorioso. Ele pinta o vácuo com fogo e salga o solo com cinzas.
Na quarta andada, Mengoor e Cra’adug, díade de Cavaleiros, vão até a Ponte das Gralhas. Eles permanecem nela e matam os Tai durante dez anos.
Na quinta andada, a Gralha Imperatriz dos Tai volta para sua casa, a Ponte, e corta uma lua com suas garras. Ela abre um rasgo na lua e mata a ninhada de lá.
Na sexta andada, Oryx diz:
— Escute-me, Gralha Imperatriz, e eu irei lhe descrever a Última e Verdadeira Forma, que está escrita na minha tábula. — então ele estende seu punho, cheio de fogo negro, e engole a Gralha Imperatriz através de uma ferida.
Aiá! Somente o Oryx conhece esse poder, o poder de possuir.
Na sétima andada, a Gralha Perfeita sai da ferida de Oryx e estende suas asas ao longo de Taishibeth. Nunca mais nasce uma criança de Taishibeth. Ela é perfeita, e ela decreta a vontade de Oryx.
Na oitava andada, os Tai dizem:
— Vocês são corrompedores. Vocês são esfíncteres e excrementos. Vocês são podres. Por que vocês matam? Nós criávamos orbitais prateadas e teias estelares douradas. Nós chocávamos ovos. Tínhamos coisas boas. Nossas roupas eram finas, nossa comida era famosa. Com uma de suas penas, a nossa Imperatriz poderia fazer cócegas nos deuses.
Na nona andada, Oryx diz:
— Este é o único deus, esta habilidade de ditar o que irá e o que não irá existir, este poder de continuar existindo. Este é o seu deus. Ele nunca tem cócegas.
Na décima andada, os Taishibethi são extintos.
Então Oryx diz:
— Escutem, minhas irmãs. Vocês sabem o que nós fizemos? Nós conquistamos o nosso caminho até a beira da Profundeza. Ela sussurra para mim quando eu a chamo, e guia o meu voo. Ela diz que nós estamos no limiar dela, e que eu deveria entrar.
Eu irei até lá falar com ela.