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Fragmento de Fantasma: O Mar das Tormentas 2

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Últimos registros da estação lunar: Primeira Luz.

A natureza dos túneis era geológica, ou tinha que ser. Foi isso o que pensamos até as primeiras doze horas da segunda expedição sublunar, quando encontramos os ossos. Era uma caixa torácica do tamanho da fuselagem de uma aeronave.

As próprias criaturas vivas, nós encontramos algumas centenas de metros abaixo. Eles poderiam ser vermes, se vermes tivessem escalas e dentes e se movessem mais rápido do que um homem é capaz de correr.

Jun morreu primeiro. Depois foi Luli. Foram mortes ruins; mortes nas quais não se vale a pena pensar, então eu não penso enquanto vago por estes túneis, perdido, esperando que meu oxigênio acabe.

Será que vai doer quando aquele sono final chegar? Aquele sono que não é sono.

Mas tudo na Lua tem o nome de algo que não é. Já notou? Mar da Serenidade.Mar das Tormentas.Mar de Chuvas. É bem propício.

No entanto, nos túneis nós encontramos coisas que eram exatamente o que pareciam, então as nomeamos como tais. Marque-as bem, se esta gravação for encontrada.

O Círculo de Ossos.A Câmara da Noite.

Não é possível caminhar nestes túneis escuros sem perder alguma coisa. Dizem que olhar para o oceano nos faz sentir pequenos, mas caminhar nestas cavernas nos faz sentir a realidade escapando.

Não há como retornar para o que éramos antes: credores da ciência e da racionalidade fundamental do universo; não depois de ver estes vermes.

Mas agora, aqui no fundo, eu encontrei o outro lado do pesadelo. É como acordar de um sonho e perceber que você ainda está dormindo. Talvez meu oxigênio esteja chegando ao fim. É, eu posso ver que está. A hipóxia já está se instalando. A coisa diante de mim é como eu: parcialmente viva e parcialmente morta, uma placenta ossificada. um tumor pulsante.

Está em uma cratera que ela própria criou, escura e denteada. Então vou sentar aqui, e me deitar. Vejo uma abertura, e dentro dela, as cascas de ovos brancas como a morte dos pesadelos que estão por vir.

E como estou feliz de saber que não vou estar aqui para ver.