Para Osíris
Osíris,
Temo que essa carta jamais chegue a você, velho amigo. Seu sumiço é tão misterioso e inexplicado quanto o dos planetas. Escrevo agora porque estamos no meio de uma nova era. Você previu essa reviravolta muito antes que ela se aproximasse, e agora, mais do que nunca, precisamos da sua sabedoria.
Você ficará feliz, ou horrorizado, ao saber que tinha razão. O equilíbrio é a única saída de fato. Você pessoalmente viu a balança pender — o desequilíbrio exagerado nunca resultou na harmonia que buscamos.
A Vanguarda desconfia de nossas intenções e competências, temendo corrupção e deslocamento. Eles não confiam em mim. Você também foi desprezado por dizer a verdade e incentivar o livre-arbítrio. Você sabe o que é sofrer punições e receber o rótulo de traidor. Estamos a poucos passos da ruptura das instituições, mas elas parecem incapazes de ver a destruição bem diante delas.
Fomos manipulados em todas as frentes. Savathûn empregou a Treva como um instrumento para ilusões, enquanto a Vanguarda usou a Luz para ofuscar nossa visão. Havia um poder entre os dois extremos, mantido fora do nosso alcance. Isto acabou. Ikora está vacilando, encarando o desfiladeiro, hesitante em se lançar no abismo. Não podemos mais esperar que ela faça a escolha. Embora eu sinta imenso pesar, não é hora de deixar sentimentos pessoais influenciarem nossas ações. Eu me aliei com os indesejáveis e tomei o Poder da Treva para me opor à calamidade. Ela não pode oprimir o que não pode controlar.
Passamos tanto tempo nos agarrando à Luz, negando a força oferecida pela Treva. Com a Estase, vamos pôr um fim à guerra. Podemos ver a face real deste embate: um jogo jogado pelos nossos adversários. E nós éramos os peões.
Não somos mais.
Essa não é uma batalha que eu quero travar sem você, embora talvez eu não tenha escolha. Esteja aonde estiver, por favor, volte para nós.