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Dando as Cartas

Brincadeiras à parte, talvez eu tenha cometido erros. Alguns há menos tempo que outros. Difícil de acreditar, eu sei, mas talvez seja verdade. Talvez. O fato sobre erros é o seguinte: você aprende com eles. Mais uma vez, presumindo que a possibilidade teórica de eu ter cometido erros seja verdade. Então, sim, talvez seja isso mesmo. Tentando aprender com esses deslizes totalmente hipotéticos. Voltar-se para dentro de si, eles dizem. "Eles", nesse caso, é Ikora. Eris fala outra coisa. Eris fala muitas outras coisas. Saudade daquela garota. Mas aqui estou eu enrolando, ganhando tempo. Não é fácil para mim. Pensei que seria. Fácil, quero dizer. Ou, pelo menos, mais fácil que isso. Eu pensei que muitas coisas seriam mais fáceis. Pô… Eu pensei muitas coisas sobre muitas coisas. Mas talvez seja isso que me faz ser quem eu sou. É o que faz qualquer um de nós ser parte da humanidade. Todos os nossos grandes planos e pensamentos, esperanças, sonhos e toda essa conversa mole. Tá bom, olha só: pra ser honesto, e acho que estou sendo, talvez essas esperanças e sonhos sejam o que realmente importa. A parte difícil é não perdê-los de vista. A vida é cheia de pequenas distrações que deixam os contornos indefinidos e as esperanças e os sonhos meio borrados. Aí que está o poder do "talvez", acho, a tentação de… jogar um lado contra outro para levar vantagem. O talvez dá… margem de manobra. E eu gosto das coisas indefinidas. E adoooro ter margem de manobra. Mas, para ser fiel a esse papinho enrolado de "querido diário", acho que o que eu quero dizer é… Acho que o que eu quero dizer é que eu tô farto de "talvez". E, como — mais do que qualquer coisa — sou do tipo que vai direto ao alvo, tenho que mandar bala… mesmo sem ter uma arma na mão. Então, vamos… vamos manter isso entre a gente, certo? O lance é este: meu nome é Cayde-6… E esta é a minha história.