As Minas de Sal
Em um acampamento no topo de uma colina com vista para as minas de sal de Trostland, um homem com uma Arma Dourada mantinha dois Guardiões como reféns. Atrás deles, uma silhueta cinzenta fumegava na encosta.
"Eu dei várias chances a vocês," disse o homem com a Arma Dourada. "Últimas palavras?"
Um dos reféns ergueu a cabeça e inspirou. Só que, antes que pudesse falar, o crânio dele irrompeu em uma explosão de Luz de Arco. Logo em seguida, uma flecha de Vácuo zuniu pelo ar e se alojou na garganta do segundo refém, que caiu para a frente, contra o companheiro morto.
O homem se voltou para a origem dos disparos, a Arma Dourada brilhando vivaz no punho.
Os Fantasmas dos Guardiões mortos se materializaram para ressuscitar os parceiros caídos — mas foram logo interrompidos por dois dispositivos de restrição, que surgiram de trás das árvores e os neutralizaram.
Os Fantasmas caíram, imobilizados por impulsos de Arco.
Seixos tombaram com leveza encosta abaixo conforme seis Arcanos de casaco preto entraram em fila indiana no acampamento, todos com Escopetas da Renúncia nas mãos.
O homem não se mexeu.
A mulher à frente dos Arcanos deu um passo à frente. Ela ergueu o Selo Cormorão, sem se abalar pela luz da Arma incandescente do homem. "Meu nome é Aunor. Ordem dos Práxicos."
"Você está interrompendo um trabalho importante," disse ele.
"Tirou as palavras da minha boca," retrucou ela. "Esses Fantasmas vêm com a gente. Chega de matança. Sua reputação não vai te proteger nesse caso."
"A jurisdição de vocês é na Cidade," respondeu o homem. "Esses aqui são problema meu."
Aunor fechou a cara. "Esses aí são criminosos de terceiro grau. Se envolvendo com a Treva em nível apenas material, coletando e ocultando artefatos ilegais. Nós vamos reabilitar e reeducar os dois, se preciso."
"E eles vão voltar a fazer as mesmas coisas pelas costas de vocês. Já se viciaram. O poder corrompe."
"Você está nos custando Fantasmas… meios de enfrentar os inimigos da humanidade. Esses Guardiões representam mais que Dredgens em potencial—"
"Homens como esses vão destruir vocês por dentro."
"Com base nos erros de um homem só?"
"Minha luta é mais antiga que a sua, Arcana Aunor, e ela vai continuar mesmo quando as suas leis Práxicas forem esquecidas e a Última Cidade não passar de poeira."
"Vocês, Shaxx e a Vanguarda, todos que tomarem meias medidas vão acabar destruindo essa Cidade."
O homem passou a Arma Dourada para a outra mão e suspirou. Aunor engatilhou a Renúncia. Os Arcanos atrás dela fizeram o mesmo.
O homem ficou de pé, parado. "Shaxx não gostaria de ver vocês todos voltando em pedaços. Tá, pode levar. Mas vou ficar de olho. Se eles saírem um tantinho da linha, vão se ver comigo."
Ele caminhou para a floresta, punho ainda aceso. A treva caiu sobre o acampamento quando ele desapareceu.
"Recolham os Fantasmas," comandou Aunor, guardando a arma para fazer uma varredura do local.