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Meios Justificados

"O Derivante nem sempre foi meu alvo. Aliás, só me chamou atenção quando começou a andar com quem eu chamo de presas. Antes disso, ele não passava de um boato: o estranho Portador da Luz que se aventurou além dos limites do sistema, o errante solitário, 'Guardião' apenas na definição reducionista moderna. Ele tinha um Fantasma. Tinha sido tocado pela Luz. Mas tinha motivações pessoais. Alguns diriam até egoístas, e sou obrigado a concordar. Essas noções de dever e devoção e de usar seus talentos para o bem da humanidade? Não eram a dele. Que se dane a Cidade. Que se dane o Viajante. Que se dane a Luz. Isso deixa sua ida à Torre e sua recém-descoberta benevolência ainda mais… intrigantes. Perdi sinal dele quando o Viajante silenciou. Pode ser que esse corte na conexão o tenha atraído de volta. Se for o caso, duvido que ele admita. Mas ainda assim ele está aí: indesejado, mas com o dom da persuasão. Não que não me preocupe. Pra ser bem claro, houve tempo em que eu o consideraria um perigo. Tempo em que eu o mataria como castigo pelos caminhos que trilhou. Mas, hoje em dia, as coisas não são tão simples. Aprendemos essa lição com Ghaul. E por mais que eu ainda pretenda punir os transgressores, também vejo valor em certos… riscos. Essa Artimanha — o joguinho estranho do Derivante — pode ser um deles. É preciso ter cuidado e atenção para não deixar que os meios destruam os fins, mas acho que nosso novo 'amigo' pode ser um catalisador necessário. E se não for… Ele dá uma excelente isca." – Observações de um Renegado acerca de um Derivante