The Grimoire Archive
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ELE SONHA

Não foi um sonho. Os mMortos não sonham. Mas eu ainda falo como se tivesse sido, porque de que outro jeito os outros vão entender? Ninguém mais voltou. Não de uma morte final. Só eu. Então vou falar como se fosse um sonho e eu estivesse dormindo. Primeiro, se eu estivesse dormindo e fosse um sonho — e eu não estava, e não foi, só pra deixar bem claro — eu não queria acordar. Acho que, no lugar onde eu estava, ninguém iria querer acordar. Você estava lá, Sundance. O Viajante estava lá. Eu não podia enxergá-lo, mas sentia. Aquela presença profunda, de sentir nos ossos. Aquela luz branca que parece puro amor. Eu era parte de tudo que já perdi, e estava tudo lá, a sensação. Eu me deixei ficar perdido naquilo, lá, com tudo… Eu estava em casa. Aí eu acordei. E eu estava sozinho. Na última vez, não fiquei sozinho por muito tempo. Parti pouco depois de você rumo ao esquecimento. Mas aqueles poucos momentos sem você… Pura agonia. E agora? Aqui, sem você? Pura agonia. Eu não sabia como poderia prosseguir. Não queria prosseguir. Pensei, "É nesse neste ponto que eu vou parar. Vou encerrar tudo bem aqui. Não resta mais nada. É só isso que eu terei." Mas não, eu não tive escolha. O mundo continua. Ninguém pergunta como você quer seguir adiante. E ninguém explica como fazer isso. Não importa, pra falar a verdade. O mundo só continua. E puxa você de volta. Então vou seguir sem você, Sundance. Eu não tenho escolha. Mas continuo me perguntando: o que eu teria feito se tivesse escolha?