DECLÍNIO
[Relatório via roteador criptografado da VanNet.]
Mais uma ameaça de desastre iminente. Vocês declararam uma nova Era Dourada e nosso inimigo anuncia um novo Colapso. Dão a entender que já está em curso. Alarmante.
[Anotações pessoais, talhadas a faca em couro da Colmeia.]
Queda livre e órbita estável são praticamente indistinguíveis até você se esborrachar no chão. Já estamos caindo? Nossa ruína é certa? Será que não vimos os sinais?
Eu deveria perguntar a Osíris. A Ikora. À minha rainha. Deveria invocar o infeliz do Toland lá no Mar dos Gritos e arrancar dele a verdade. Mas será que acreditariam em mim? "Pronto, lá vem a velha Eris", dirão eles, "lá vem ela tagarelar de novo sobre ameaças e vingança. Vive prenunciando a catástrofe só porque se sente sozinha."
Zavala ia acreditar em mim, mas ele também me mandaria voltar e descansar. Ikora me instalaria numa biblioteca e cuidaria de mim, e lá eu ficaria contente demais para sequer pensar em ir embora. Não posso. Não posso. Até a minha rainha sabe que é necessário guardar certos segredos. Ela vai entender.
Ela confia em mim.
Queria tanto ter companhia para o jantar.