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CASCA DE OVO

[Relatório via roteador criptografado da VanNet.] Um pássaro não voa antes de sair do ovo. O inimigo continua sugerindo que deveríamos abandonar o Viajante. É um bom sinal. Se conseguisse nos destruir com facilidade, não teria que ficar nos tentando. [Anotações pessoais, talhadas a faca em couro da Colmeia.] A atividade vulcânica e os sopros de plasma de Júpiter transformaram Io em uma joia química para a obra do Viajante. Uma boa wok tem que ser curada da mesma forma. A panela está no fogo com o óleo de girassol que achei nos suprimentos do primo Asher. Tem muita coisa boa lá, tudo intocado. Ele se priva de tudo. Estou dolorida da caminhada. Ikora diz que meu corpo é cheio de microfraturas e trauma muscular profundo. Só fui notar depois que as outras dores sararam. A ilusão da convalescença: uma dor mascara a outra. Essa troca com a Pirâmide é perigosa. Os registros de Kuang Xuan deixam isso bem claro. Mas tenho que continuar. TENHO que continuar. Além de conhecer o inimigo, qual é a minha serventia? (Mara diria que eu valho muito mais do que isso. Meu valor como pessoa é maior do que a minha serventia.) Então: Que tipo de pássaro nós seríamos se abandonássemos o Viajante? Há exemplos óbvios. Poderíamos sobreviver como saqueadores marginais. Poderíamos trocar nossa humanidade por máquinas. E poderíamos entrar em guerra e construir um império. Contudo, nenhuma dessas respostas pode ser a nossa. Decaídos, Vex, Cabais e Colmeia, todos eles desejam o Viajante. Eles não o abandonaram. Se tudo o que não é agraciado com a proteção do Viajante se dobra à suserania da Treva – não por servi-la mas por obedecer às suas leis –, abandonar o Viajante é praticamente se juntar ao inimigo. Não há outro jeito. Ainda assim, eu sou uma exceção. Eu fico no meio. Entre preto e branco não existe apenas o cinza – todas as cores se encaixam nesse espectro. E eu não sou necessária? Teria me perdido não fosse pelas pessoas que me trouxeram de volta à Luz, mas se eu não estivesse lá para guiá-las pela Treva, todas teriam morrido… Em quem nós nos transformaríamos se todos fossem como Eris Morn? Ah… minha wok pegou fogo…