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Imponente IV

Depois disso, a ex-Paladina e o caçador escolheram cada um uma arma de fogo e foram à selva de monções para se caçar. Sjur Eido escolheu um Rancor de Tigre de calibre 11x90 mm, com guiamento de rajada de cinco projéteis e reservatório inercial. Uldren, por sua vez, pegou uma carabina de agulhas silenciosa com carga venenosa. Por seis semanas, eles se espreitaram conforme a situação política do planeta foi se deteriorando. Ele era um caçador melhor, mais silencioso e à vontade na selva, mas Sjur Eido era uma soldado melhor. Ela não respeitava os sistemas da selva, sabendo como usá-los ao próprio favor, amedrontando animais com sua violência e destruição de habitats. Papagaios e corvos avisavam uns aos outros dos esconderijos de Uldren, predadores territoriais o expulsavam das trilhas cuidadosamente exploradas. Finalmente Sjur Eido o encurralou em frente a um lago e o atingiu conforme ele tentava atravessar o leito. A ferida não era letal, pois a água enfraqueceu a balística, mas a vitória daquela partida foi dela. — Sua vida está em jogo aqui — avisou Mara. — Se perder essa partida, você vai… — Acha que eu tenho cara de idiota? — resmungou o irmão. A ferida doía imensamente, mas ele não arriscaria tomar nada além de um simples analgésico. — Se você me tirar o meu trabalho, irmã, não me resta mais nada. Para o último embate, usariam caças sobre os Andalayas. Sob o assento de cada um, uma carga explosiva detonaria caso um dos dois abandonasse a área delimitada para o confronto. Como a zona de combate era pequena, Sjur Eido escolheu um caça tático Arminho equipado com mísseis termoguiados. — Quando vamos receber as aeronaves? — inquiriu Uldren. — Como posso saber que o equipamento é confiável? Eido respondeu que uma das Escribas de Gensym forneceria a aeronave e as armas solicitadas do próprio estoque de dissuasão. — Certo — disse Uldren, fungando. — E vamos ter acesso a todas as armas que as aeronaves podem equipar? — É lógico — garantiu Sjur. — As que não pudermos obter vão ser substituídas por simuladores. Ela tinha certeza de que o ferimento de Uldren o deixaria incapacitado. — Então vou pilotar um Dardo — disse ele. Aquele interceptor ultrapassado tinha um péssimo controle de disparos, uma manobrabilidade horrenda e um armamento primitivo. — Um Dardo? — zombou Sjur. — Vai usar as armas originais dele, também? Acha que pode me derrotar com foguetes e metralhadora? — Acho, sim. Aceita esses termos? Ela aceitou. Os dois duelistas se lançaram aos céus brilhantes de uma manhã de inverno. Depois de checarem o combustível, a telemetria e o terreno, voltaram-se um para o outro com cem quilômetros entre eles. Sjur Eido desceu para perto da terra, sabendo que o radar de Uldren mal seria capaz de identificá-la em meio ao terreno. Uldren veio se aproximando. A oitenta quilômetros de distância, Uldren chamou pelo rádio: — Fox três. Abatida. Combate encerrado. Sjur bufou com desdém ante aquele blefe e se preparou para erguer-se em um ataque-relâmpago, quando o alerta de ABATIDO piscou no painel de treinamento do Arminho. Ela havia se esquecido de que o equipamento de interceptação do Dardo, quando usado pela última vez setenta anos antes, contava com um foguete nuclear ar-ar não guiado. Uldren a abatera em simulação, junto com tudo em um raio de vários quilômetros. No asfalto, Sjur Eido arrancou o capacete e o paraquedas e se ajoelhou perante Mara Sov. — Minha senhora — disse —, como cheguei a um empate com seu irmão, deixo meu destino em suas mãos. Tenha mais misericórdia comigo do que teve com a minha senhora, a Diasirmo. — Levante-se, Sjur Eido — disse Mara. — Vamos, juntas, tomar as estrelas.