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Torção

Neomuna é um lugar maravilhoso para um Caçador correr. Principalmente, para este Caçador. Aqui, a atividade da vida é próxima à superfície, como um rio invisível, uma migração de pássaros, a pausa na respiração logo antes de o relâmpago cair. Aqui, o filamento se enrola entre os dedos dele, forte como uma corda e igualmente flexível, e tudo o que ele precisa fazer é continuar correndo. E por que ele pararia? A batida de pés. A emoção da queda livre. O estalo quando ele agarra a trama da própria existência e sobe de seu mergulho, aproveitando o impulso. Em movimento, enquanto se vira, ele vê bronze e ouro refletindo as luzes vibrantes da cidade, e percebe que há Vex nas ruas… Será que também fazem parte do mesmo fluxo? Eles ecoam na trama mesmo assim, como flores na superfície do rio caudaloso. O Caçador salta de um prédio para o outro, sem parar, e encontra sem esforço o lugar onde todos aqueles Vex irão convergir. Ele solta um nó agitado ali no meio e continua em frente. Que maravilha é poder simplesmente se mover e nunca parar. E então, mais tarde: quando a emoção se esgota e ele concorda em fazer um pequeno trabalho a serviço da ciência, o Caçador se empoleira no topo do Limiar do Artefato, aquele declive imponente em Nesso. É possível descer num elevador seguro, mas nenhum Caçador que ele conhece jamais se preocupou em usá-lo. Em vez disso, saltam em uma queda livre e destemida. Em Netuno, em Neomuna, onde aquele artefato da Treva sustenta a existência da própria cidade, descobrir a trama foi fácil. Aqui… Aqui em Nesso, talvez não esteja tão perto da superfície, mas, agora, ele sabe o que procura e, pela Treva, o objeto de sua busca também sabe quem ele é. O Caçador envolve as mãos nas belas cordas do tear do mundo e salta para o vazio. Risos e filamento o animam ao mesmo tempo; deleite, liberdade e uma admiração pela vastidão da existência. É mais fácil aprender o truque, onde o Véu está próximo e é envolvente. Mas, claro, o filamento está em toda parte. Como não estaria?