A Dor do que é Certo
Sua busca por empunhar as armas rivais é uma jornada nobre que derrotou muitos que diriam ser seus iguais. A Última Palavra e o Espinho estão ligados pelo sangue que derramaram, mas, como você sabe, estão ligados por mais do que violência. Eles representam ideologias de guerra. São do mesmo tipo e, ainda assim, opostos, o fogo purificador e a doença purulenta, como a visão comum de mim e das Sombras: adversários destinados a destruir uns aos outros, inimigos do nosso núcleo. Mas e se eu tecesse outra história, se desse um significado mais profundo ao conflito que fez com que o meu legado e o de Yor fossem pintados sob uma perspectiva tão odiosa?
Eu já desempenho um papel há um tempo. Muitos, na verdade. Meus nomes, Shin Malphur, o Renegado, vários outros transmitidos por tolos e casos difíceis, ou até mesmo um ou dois atrás dos quais me escondi durante os muitos anos que passei fugindo do meu passado e em direção a um futuro sempre escuro. Todos servem a um propósito.
E todos começam com Shin, o garoto pobre, perdido e solitário de quem tomaram seu mundo inteiro. O conto da minha juventude e Palamon é verdadeiro. Sua tendência a despertar simpatia e colocar minha história no caminho do correto e justo não é um truque. Eu sou correto e justo. Mas se pergunte…
O fato de eu ter sido uma vítima no começo determina a sua percepção de mim? Meu caminho — minha causa — é mais justo porque me deviam justiça e vingança?
Por muito tempo pensei assim. Mas então — e é aqui que a verdade de tudo começa a ganhar foco —,
e se o vilão da história acreditasse nisso? E se o vilão destruísse a minha vida e a de inúmeros outros como um meio terrível para um fim? E se eu estivesse perdido e ele oferecesse orientação me presenteando com vingança?
E se eu lhe dissesse…
Ele estava certo em fazê-lo.
— S.