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Pressão

Ela foi a primeira Fantasma a chegar, mas logo dezenas deles já vasculhavam todas as pilhas de detritos que restavam do Norte da Torre. Vinham à procura daquele que os guiava na jornada, daquele que fora o porta-voz do Viajante. — Ele me batizou Dejana. Antes de conhecê-lo, eu não sabia do que me chamar. Ela conversava com um Fantasma de revestimento vermelho, que pairava onde o Porta-Voz costumava estudar a Luz. Os olhos dele não desgrudavam da nova resplandecência do Viajante Vivo. — Ele me batizou Anwar. Você também nunca encontrou o seu, não é? — Não. — Ela havia empreendido uma jornada de séculos, na Terra, na Lua e em Vênus, sem jamais descobrir uma alma sequer que considerasse digna da Luz. — Eu costumava pensar que o problema fosse eu, que eu fosse exigente demais, mas… ele me garantiu que a humanidade era vasta. Que o dom da Luz não deve ser concedido a qualquer um, que era melhor ser meticulosa do que acabar com alguém fraco demais para suportar o fardo ou, pior ainda, usá-lo mal. Ele, pelo menos, fazia eu me sentir… útil. Interrompi minha busca para trabalhar para ele como cartógrafa. E você? — Desconstrucionista. — Anwar ficou em silêncio por um instante, antes de flutuar alguns metros em direção ao Viajante Vivo luminoso. — Dejana, você está sentindo? Dejana seguiu o olhar de Anwar para o Viajante. — Sentindo o quê? — A pressão.