NÃO NASCIDO
[Relatório via roteador criptografado da VanNet.]
É um sermão sobre a filosofia do Livro do Desalento, sobre as escrituras de Yor e os fragmentos revelados. O Viajante é um falso criador, guardando suas criações com uma lei falsa. Somos coisas mortas, criadas nos moldes dos mortos. A única lei verdadeira é uma lufada de violência. Tudo o que não consegue se agarrar à existência não merece existir. E por aí vai.
Pelo menos é consistente.
[Anotações pessoais, escritas em couro da Colmeia com uma lasca de rocha ioniana.]
O inimigo sugere que nosso renascimento foi um erro cruel. Muito gnóstico da parte dele. Eles eram um culto (um grupo? uma escola? uma horda?) que acreditava que todo o nosso sofrimento não se origina das nossas más escolhas, e sim de um erro do Criador do mundo. Um deus falso, ilusório. Mara ia rir… ou chorar.
Meu renascimento foi um mal?
É verdade que os Guardiões renascem para encarar a dor. Somos eternamente assediados por um cosmos torturado. Eu acredito, cá comigo mesma, que a maioria de nós perece de exaustão. Nossos Fantasmas nos amam, por isso permitem que nos aninhemos lá dentro, para descansar.
Brya, a minha Fantasma, morreu para me salvar. Se ela voltasse… será que eu ia almejar outra vez a imortalidade?
Tenho medo da imortalidade sem escolha. Não ia querer continuar vivendo presa em vidro Vex, ou como um espírito no Mar dos Gritos...
Mas minha vida não é uma prisão, muito menos uma armadilha.
[Cortes profundos, cheios de pó de rocha:]
NÃO É.